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“Woodstock lançou o rock como uma instituição cultural” Meio milhão de pessoas, 32 das maiores bandas e/ou músicos da época e quatro dias de concerto, com lama e drogas em abundância. O Festival de Woodstock (1969) tinha tudo pra dar errado, mas entrou pra história do como o maior festival já realizado no mundo. “O festival mudou a visão do mundo principalmente em termos de conceito de show, ao ar livre. Mostrou que era possível realizar um evento desse porte, sem grandes problemas, já que os incidentes que aconteceram não foram tão significativos perto da quantidade de gente que estava lá”, explica o jornalista, especialista em rock e professor da Universidade Santa Cecília, Eduardo Cavalcanti. Mais do que marcar a vida da juventude dos anos 60, Woodstock foi o responsável pela revelação de grandes lendas do rock mundial. “Apesar de não ter sido o primeiro festival (O Festival de Monterey Pop, em 1967, já havia chamado atenção), músicos como Janis Joplin e Jimi Hendrix viveram o auge da carreira ali, então foi realmente um marco cultural. Quem não se lembra do Hendrix tocando o hino nacional no último dia do festival? O próprio Santana foi revelado ali. Então Woodstock mostrou pro mundo que o rock era uma força cultural que tinha que ser levada em consideração”, continuou o professor. O evento foi uma força que desafiou uma geração, seguidora do idealismo “paz e amor”. “Não é qualquer estilo de música que leva meio milhão de pessoas a ficarem juntas durante dias seguidos, embaixo de chuva, no meio de lama, sob as piores condições possíveis. Não havia banheiro, comida, e nem água suficiente para todos. E era impossível sair dali, porque a fazenda era isolada. Mas todo mundo ficou ali, numa boa”, lembrou o professor. 
Cavalcanti ainda lembra que o festival respingou seus efeitos no mundo inteiro, inclusive no Brasil. “Tudo chega meio atrasado por aqui, então o país começou a pensar nessa coisa de festival hippie lá em meados dos anos 70. Como exemplo, posso citar basicamente o de Saquarema, no Rio, e o Festival de Águas Claras, mas nada comparado aos festivais que aconteciam na Europa, até hoje”, explicou o jornalista, lembrando também do Rock in Rio. “O Rock in Rio é um dos maiores festivais do mundo, mas não tem o mesmo objetivo dos demais, como o próprio Woodstock. A idéia sempre foi revelar as novas bandas, enquanto que o festival do Rio trazia bandas já consagradas, por causa do apelo econômico, principalmente”, frisou Cavalcanti. Já em Woodstock, bandas de que se esperava muito pouco, realmente se destacaram, como foi o caso de Santana, já citado, e de Sly Stone, que mais tarde influenciou gente como o Prince. E no ano de comemoração dos 40 anos do festival, Woodstock continua na mente daqueles que realmente acreditavam num ideal de um mundo pacifico. “Foi o auge da contracultura, do lado mais festivo de uma revolução. Tudo era mais inocente, desde o uso de drogas até o conceito do amor livre, que o mundo encarou como promiscuidade mais tarde”, explicou o jornalista, que lembra que ninguém imaginava a força que o festival teria na cultura como um todo. “Era preciso mostrar pro mundo o que aqueles roqueiros estavam fazendo, em termos de música. Não era música boba, só pra tocar em rádio. Eram letras inteligentes, politizadas, com arranjos legais. Woodstock mostrou que o rock tinha uma amplitude que ninguém imaginava. Aqueles milhares de pessoas abriram os olhos da indústria fonográfica. Woodstock lançou a era dos festivais, e sentenciou a força do rock no mundo como uma instituição cultural”, finalizou Cavalcanti. Por Graziela do Rosário (matéria publicada no Primeira Impressão de Maio/2009 - Só pra constar, Woodstock aconteceu entre os dias 15 e 18 de agosto, e aproveito a oportunidade de reativar esse blog postando essa matéria no aniversário do festival)
Escrito por Grazy às 13h48
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